O baú de Gaia

O baú de Gaia

Bilhões de anos atrás na escuridão nevoenta do nada (Caos) vai surgindo gradativamente a imagem da divindade Gaia (Terra), que coberta por alvos mantos vai dançando e rodopiando, tornando-se cada vez mais visível. Com os incessantes rodopios seu corpo vai se solidificando e se transformando em montanhas e vales; seu suor transforma-se em mares e rios; seus braços alongam-se e a envolvem em proteção formando o firmamento a sua volta.

Name: Gaia
Location: Brazil

Tuesday, March 28, 2006

Eclipse em Haicai...

Eclipse solar
escuridão que jazz
na falta da luz

o sol e a lua
qual amantes errantes
um beijo reluz

que grande a paz
que repousa nas trevas
amor, desejo

ausência de mim
eterna despedida
amor sem fim


Nota: Para quem não sabe, teremos um eclipse solar total. A Lua começará a ocultar o Sol a partir de 7h37m TU (Tempo Universal), ou seja, 4h37, hora de Brasília, na quarta-feira, dia 29...

O fenômeo começará em algum ponto do Atlântico a Leste do Brasil. Somente às 5h35m, hora de Brasília, será a vez do cone da sombra projetar-se sobre o interior do Rio Grande do Norte, ao nascer do Sol local, iniciando o seu percurso sobre o globo terrestre.

Friday, March 24, 2006

Outono...



Ouço a luz que entra pela janela do meu quarto e vejo a cor da melodia que ela traz. É outono, sinto a suave brisa a acariciar meu corpo, como num sonho a me embalar.
Sinto falta de como eu me sentia a muito tempo atrás, outono de saudades, de folhas caídas, de promessas quebradas, de tristes partidas.
Ouço a poesia de um violino a tocar, e o beijo, um desejo, uma lembrança que insiste em atormentar, mas que queima, e ainda aquece o coração , esse fogo ardendo na fogueira das ilusões, que ficaram tão perdidas no deserto em que habita esse sofrido coração.
Vejo as cores dessa linda estação, vejo as folhas que caem sem perdão, tão bonitas, cores da paixão já sem vida, cores pálidas, cores cálidas...varridas pelo vento sem destino ou direção.
Assim eu sigo, rumo ao incerto ao desconhecido, aguardando a próxima estação.

Sunday, March 19, 2006

O massacre de Gaia...

Se tu pudesses neste exato momento, parar por um segundo e se colocar a ouvir o som que retine por toda a superfície da grande mãe Gaia, tu com certeza não serias nunca mais o mesmo. Você se condoeria com seu sofrimento?
Sons de guerras, de desespero, sons de fome, de pranto, sons de tristeza, de angústia, sons de morte, de vingança. Sons de trânsito, de máquinas, sons de multidões, de protesto, sons de ódio, de falta de esperança, sons de gemidos, de rancor, sons de dor.
Seu sangue (água) está coagulando em suas veias (rios) há poluentes, lixo, veneno...e a grande mãe continua seu caminho cansada, sem encontrar alívio. Sente os efeitos do calor que lhe chicoteia os poros, e lhe abre chagas cancerígenas por sua pele delicada (buraco na camada de Ozônio). A grande mãe chora seu castigo, e seu pranto (Tsunamis) é avassalador. Seu suor lhe escorre pela fronte (degelo calotas polares) aumentando o volume de suas dores. Alguém se condói da grande mãe ? Cortaram seus lindos e bem cuidados cabelos anelados (florestas), anda por aí transladando desnuda e enferma enquanto é devorada viva por seus vermes hospedeiros (Seres Humanos). A grande Gaia cambaleia e quando sucumbir e vier a perecer...seus vermes se devorarão uns aos outros, até sobrar apenas um, que devorará a si mesmo, célula por célula, até desaparecer...
Vermes, vocês já estão julgados e condenados e receberão o castigo que merecem. Cuidado, não aceitem suborno para corromper a justiça, não se deixem seduzir pelas riquezas, porque não adiantará gritarem por socorro...todo poder que acham que possuem não terá nenhuma serventia quando a grande Gaia vier a padecer.

A bailarina dos prados...

Habitava em meio ao prado, repleto de inigualáveis matisses de verdejante relva, uma bela e adorável florzinha. Como uma graciosa bailarina, dançava so som do zéfiro de cada dia.
Tão suave era o seu aroma e tão delicado o manto branco que a envolvia...parecia uma fada a encantar com sua graça aquele campo esquecido.
Sua morada era aos pés de um velho jacarandá, que como um pai zeloso a protegia das intempéries do clima. Durante o dia lhe abrigava do calor avassalador e lhe protegia das tempestades sombrias.
Tão bela era a bailarina dos prados, tão bela era sua dança inebriante quando o zéfiro suave a tocava com sua melodia errante e fazia seu bem torneado caulezinho se movimentar alegremente. Suas pétalas tão suaves ainda estão gravadas em minhas lembranças de eterno adolescente.
Ela hoje ainda está lá...bailando, bailando, bailando sua eterna dança sobre a luz do luar suavemente.

Saturday, March 18, 2006

A filha de Vega...

Chamava-se Clara. Era a filha mais nova de Vega a estrela mais brilhante da constelação de Lyra. Pequena mas reluzente, a estrelinha parecia saltitar graciosamente perante um universo escuro e inexplorável. Brilhava como um pequeno e raro diamante a enfeitar o dorso de uma delicada princesa. A pequena Clara, sem se dar conta, alumiava com seu brilho inigualável o céu de um pequeno e pobre pastor de ovelhas chamado Davi.
Todas as noites o pequeno Pastor a buscava nos céus, como um namorado apaixonado busca ancioso por sua amada tão querida. Parecia que Clara, se revestia de seu mais valoroso brilho de luz para se encontrar com Davi pelas pradarias verdejantes onde ele pastoreava suas ovelhas. Sim estavam enamorados, ficavam horas a se fitar, como se mais nada houvesse em seu redor.
Admiravam-se... Davi podia sentir Clara vibrar quando lhe contava suas aventuras, ela remetia um brilho diferente para cada sensação... Era um brilho para quando sorria, um brilho para quando estava alegre, um brilho para quando estava triste e um outro para quando estava séria. Se conheciam, se amavam, se respeitavam. E aguardavam anciosos um dia poderem se encontrar.
Davi, perguntava a Clara: Quando, minha pequena, poderei encontrá-la? A pequena Clara, como que querendo o consolar, dizia que ainda demoraria certo tempo.
O pastor cresceu, tornou-se um homem célebre, conquistou novos horizontes, conheceu o mundo a sua volta e quanto mais ele se tornava um homem respeitado pela sociedade, quanto mais ganhava dinheiro e sua fama percorria o mundo...mais seu amor pela pequena Clara ia se tornando uma doce e distante lembrança de seu passado. Tornou-se rico, dono de muitas propriedades, invejado homem de negócios, casou-se, teve filhos, netos, porém sentia que algo de essencial lhe faltava no âmago do seu ser e não conseguia se sentir feliz.
Quando em seu leito de morte, agonizava sozinho e enfermo, porque seus bens já haviam sido repartidos entre os seus entes e já não havia mais quem se preocupasse verdadeiramente com ele, nem esposa, nem filhos, nem amigos... quando ninguém mais havia para lhe falar palavras doces de conforto e alívio nessa hora derradeira da partida, eis que ele olha pela janela do quarto e avista uma pequena estrela quase que sem brilho. Era Clara, agora uma estrela pálida e solitária. Pediu-lhe perdão por tê-la abandonado a uma simples lembrança de seu passado, por tê-la abandonado a própria sorte, enquanto lágrimas desciam por sua face envelhecida pelos anos de lutas e conquistas. Me perdoe minha Clara, nada nesta minha vida teve real valor, nada conseguiu me fazer verdadeiramente feliz, nem riquezas, nem paixões, nada absolutamente nada me completou e inspirou. Porque somente o seu amor era capaz de me fazer verdadeiramente enxergar quem eu sou.
A pálida estrela, como quem retôma o fôlego, vagarosamente foi recobrando seu brilho, só que agora era um brilho diferente, etéreo, sereno e envolvente. Perdoou-lhe com genuína nobreza de alma, provou-lhe que o amor verdadeiro resiste a provas, a distâncias e até mesmo aos efeitos cruéis do tempo. Ela esteve ali velando-o até que o velho Davi desse seu último suspiro em vida, e se encontraram finalmente para se amarem eternamente.